Marialva é uma das aldeias histórias do nosso país e situa-se a
poucos minutos de Mêda. Esta aldeia, uma das relíquias vivas da nossa
ancestralidade, transporta-nos às raízes mais profundas da nossa história. Foi
sucessivamente destruída pelas invasões dos Bárbaros, dos Árabes e dos Cristãos
até ao século XI; em 1063 o castelo é tomado aos mouros e em 1179 o 1º foral
é-lhe concedido pelo rei D. Afonso Henriques. No ano de 1200 o castelo é mandado
reconstruir e restaurar por D. Sancho I tendo sido posteriormente ampliado por
ordem do rei D. Dinis. Ao entrar em Marialva, fica-nos a sensação que
entramos num cenário histórico, pronto para a rodagem de um filme medieval. As
ruas, ladeadas por edifícios resistentes ao tempo, conduzem-nos à cidadela
cercada pelas muralhada em cujas ruínas perdemos a noção do tempo. No interior
destacam-se a Praça, solenemente assinalada pelo Pelourinho e pelo edifício da
antiga Câmara, também tribunal e cadeia (séc. XVII); alguns metros mais à frente
a torre de menagem e a Igreja de Santiago. De permeio, e ao nosso lado direito
um maciço granítico eterniza desta forma as palavras do
escritor:
"... é este conjunto de edificações em ruína, o elo misterioso
que as liga à memória presente dos que viveram aqui, que subitamente comove o
viajante, lhe aperta a garganta e faz subir lágrimas aos olhos." In "Viagem a
Portugal" de José Saramago.
A pouca população que habita nas edificações fora das muralhas é
idosa. É uma população que sente o isolamento, a partida dos filhos e dos netos,
com a mesma intensidade com que assume o elo que as liga aquela terra. Têm no
rosto o olhar hospitaleiro das gentes beirãs, rubricados pela autenticidade das
rugas do rosto.
Numa tarde escaldante de Verão sou surpreendido pela Dona
Olívia e pelo marido que me oferecem, com o seu tracto hospitaleiro, um copo
"do puro vinho das nossas terras". A meio da conversa abordam ao de leve
a maldição da Maria Alva. Estes são os verdadeiros habitantes de Marialva, de
fácil e puro relacionamento. Marialva marca-nos pela simplicidade.
O sol começa a desaparecer no horizonte; os pássaros,
habitantes fieis daquelas paragens, regressam para mais uma vez partilharem a
noite com as ruínas da aldeia, e com os poucos habitantes da
aldeia.
Marialva é sem dúvida um local a não perder e que recomendamos conhecer.
Visitar Marialva é percorrer as nossas origens mais profundas, é sentir o tempo
parar à nossa volta, e sentir saudade ainda antes de partir.
Acessibilidade: pela estrada EN 102 (futura IP2) que liga Macedo de
Cavaleiros a Celorico da Beira.
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