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O solo do Douro é pobre, o clima é duro e terrível, com invernos rigorosos e verões muito quentes onde os termómetros facilmente atingem os 40 graus, em algumas zonas do vale.
A necessidade, desde tempos ancestrais obrigou o homem duriense a inventar a sua própria sobrevivência; com a força dos braços moldou, ao longo dos tempos, a secular paisagem e o solo agreste e pobre, transformando-o nos jardins suspensos que hoje produzem dos mais famosos néctares mundiais.


Rio Douro no início do sec. XX

A tradição do vinhedo do Douro é milenar e remonta ao tempo dos romanos.
A designação de "Vinho do Porto" surge apenas na segunda metade do século XVII, altura em que se inicia a exportação do precioso néctar, em especial para a Inglaterra. Do Porto o vinho leva o nome da cidade pela qual era tradicionalmente embarcado e exportado, mas o néctar, esse é produzido com os mágicos bagos nascidos no Douro.
Os elevados lucros obtidos com as exportações para a Inglaterra viriam contudo gerar situações de fraude, de abuso e de adulteração da qualidade do vinho generoso. Os principais produtores de vinho durienses exigem então a intervenção do governo e a 10 de Setembro de 1756, no reinado de D. José I, é finalmente criada a "Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro". Esta companhia passaria a assegurar doravante a qualidade do vinho do Porto, evitando adulterações e fraudes, e estabilizando os preços de venda do produto final.
Nesse mesmo ano o Marquês de Pombal, Sebastião José de Carvalho e Melo, criou por Lei de 1756 a Região Demarcada do Douro, que se estendia ao longo do vale do rio Douro e seus afluentes, de Barqueiros até Barca D' Alva. Para demarcar o espaço físico da mais antiga região demarcada do mundo foram então mandados implantar 201 marcos de granito. Seis anos mais tarde, no ano de 1761 são colocados mais 134 marcos pombalinos, perfazendo então um total de 335. 
Os terrenos vinhateiros, inicialmente propriedades da coroa e das ordens religiosas, depois da nobreza local, apartir do século XVIII começam progressivamente a ser adquiridos pelos ingleses.

No século XIX, durante as décadas de sessenta e setente a filoxera (doença provocado pelo insecto philoxera vastatrix que ataca a raíz das videiras) reduz e quase extermina os vinhedos durienses. A desolação e a crise instalam-se na região, agravada pela crise comercial e as fraudes dos anos 80. Surgem os "Hamburg Ports" e os "French Ports" entre outros, vendidos a preço bastante inferior aos verdadeiros Port Wines, o que gera um ambiente de desconfiança e de fraude no comércio dos vinhos generosos.
Neste período os solos vinhateiros são progressivamente adquiridos por uma burguesia endinheirada em ascensão, que começa a apoderar-se da produção de Vinho do Porto.
A protecção e a regulamentação da venda e da exportação, bem como a fiscalização dos vinhos generosos viria a conhecer novo impulso a 10 de Maio de 1907, regulada por decreto assinado por João Franco, retomando-se a filosofia de protecção iniciada na época pombalina. A região demarcada é novamente delimitada, estendendo-se para o Douro Superior; reordenam-se os vinhedos e implementam-se novas práticas cultivo e de produção com a utilização de melhores castas regionais, de adubos e produtos fito sanitários adequados. Foi criado novo organismo de protecção e fiscalização, denominado de "Comissão de Viticultura da Região do Douro", e restabelecido o uso exclusivo da barra do Douro e do Porto de Leixões para a exportação dos vinhos do Porto. A denominação de "Vinho do Porto" era restringida exclusivamente aos vinhos generosos da região do Douro, com graduação alcoólica mínima de 16,5º.

O século XX viria a ser bem mais generoso com o Vinho do Porto, permitindo consolidar mundialmente o seu bom nome.

Texto: Ferreira Matos

 

 

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