"Doiro, poema geológico”, foi como o poeta Miguel Torga definiu esta região, situada no norte de Portugal, onde é fácil de estabelecer laços com a História e com as suas gentes. No campo, no rio ou na serra, as gentes do Douro partilham com os visitantes a calorosa convivialidade duriense e por vezes, dos mais aprazíveis e tradicionais segredos da cozinha regional e doçaria conventual. Nas casas das Quintas do Douro (turismo em Espaço Rural), a hospitalidade dos anfitriões não lhes fica atrás; o afecto e a cordialidade com que recebem os visitantes são amiúde testemunhados pelo rubro cintilar dos cálices contendo o mais generoso dos néctares - o Vinho do Porto.
Amizades, sabores e aromas perduram no tempo; dilui-se a fronteira entre o passado e o presente, entre a história medieval, as lendas, o património, a paisagem, o convívio e a boa disposição, sempre presente nas hospitaleiras e tradicionais refeições de cabrito assado com batatinhas e arroz de forno, ou do arroz de lampreia, mas sempre, sempre acompanhadas pelo vinho da mais antiga região demarcada do mundo.
Jantar em Quinta do Douro
... terra de gente hospitaleira
O Douro e as suas águas, são desde tempos pré históricos, fonte de vida e de actividade humana. Nas gravuras a céu aberto do Vale do Côa, o Homem do Paleolítico quis deixar ao mundo um legado histórico único, que testemunha bem a importância deste rio desde tempos remotos. O rio, esse que majestosamente serpenteia as suas águas por entre as graníticas e gigantescas fráguas, nasce em Espanha na comarca de Las Arribas del Duero, a ocidente das províncias de Salamanca e de Zamora, percorre cerca de 600 km e delega por fim as suas águas ao mar, ao largo da cidade do Porto.
Durante gerações sucessivas, as águas deste rio foram percorridas por embarcações de notória inspiração fenícia – os barcos rabelos – carregando toneis de madeira de carvalho, repletos do generoso Vinho do Porto; nesses tempos, desciam o rio transportando o néctar das encostas vinhateiras até à mui nobre e cidade invicta do Porto, para daí ser exportado para o mundo inteiro.
Las Arribas del Duero Barco rabelo
O descarregar dos toneis repletos de Vinho do Porto, no cais de Vila Nova de Gaia. Na outra margem, a cidade do Porto.
Hoje, mas em sentido contrário, magníficos barcos levam rio acima os milhares de turistas que procuram desvendar o místico rio com que a Natureza brindou esta região. Ao longo do vale do Douro, os visitantes deleitam-se com as marcas da força e do suor com que o Homem moldou a árdua natureza: os socalcos vinhateiros. Empresas de renome mundial como Taylor’s, Sandeman ou Cockburns povoam há gerações, um pouco por todo o lado, esses socalcos vinhateiros, rubricando as encostam com os seus nomes e tradição. O Douro, esse retribui doando ao Homem um dos mais majestosos néctares da natureza.
As vindimas.
A História dilui-se no quotidiano, tornando ténues as linhas que demarcam o Passado, do Presente e do Futuro. Da cultural e muito nobre cidade de Lamego, ao fervilhar comercial do Peso da Régua, da romântica quietude de Tabuaço à quase irreal paisagem do Pinhão, o Douro estabelece contrastes de harmonia que perduram no tempo. Mais acima, a geológica paisagem de S. João da Pesqueira prepara caminho ao medieval cenário da cidade de Moncorvo. Bem perto, no Vale do Côa, as gravuras paleolíticas brindam-nos com uma exposição de “quadros” milenares que se exibem na mais autêntica das galerias de Arte. Pelo meio ficam lugares e terras que as palavras inventadas pelo Homem ainda não conseguem descrever, à espera de serem descobertas... de barco, de comboio, de automóvel, ou a pé pelos mais recônditos trilhos, hoje percorridos por milhares de visitantes oriundos de toda a parte. É o Douro profundo, classificado de Património da Humanidade.