 
Vila Real, capital do Alto Douro, é uma pérola
incrustada na paisagem duriense. Bela e imponente do alto dos seus mais de 450
metros de altitude, o seu encanto estende-se pelas freguesias em redor,
espalhadas na margem direita do rio Corgo e pelas serranias e colinas pintadas
de verde, vermelho ou ocre, consoante o ciclo da vinha.
As suas terras, fecundas e produtivas, desde cedo foram
povoadas por celtiberos e romanos. Ao longo dos séculos, bárbaros e
muçulmanos não resistiram igualmente ao encanto das terras de Vila Real. No ano
de 1289, D. Dinis atribuiu-lhe o primeiro foral e todos, nobres, reis e clero,
ali se instalaram e a desenvolveram. O Santuário de Panóias
(Monumento Nacional), santuário pagão rupestre da época romana, é uma
autêntica raridade do património do concelho.
As marcas dessas épocas, o tempo não apagou. Todas as
gerações de habitantes se orgulharam ao longo da história do seu património
riquíssimo, constituído por igrejas, palácios soberbos e solares brasonados.
Vila Real exibe pelas ruas do seu centro histórico novas e antigas construções.
Numa harmonia perfeita, partilham as avenidas de jardim floridos, museus,
galerias, bibliotecas, salas de espectáculos e igrejas, capelas e solares. Todo
o desenvolvimento entretanto conseguido no concelho, não apagou a herança de
tradições e costumes de um passado repleto de saberes e de sabores.
Nas freguesias perdidas no verde das encostas do Marão,
há mãos delicadas que continuam a bordar o linho e a laborar em teares manuais;
há artesãos dedicados, verdadeiros mestres da arte de transformar o barro negro
em púcaros, potes, assadores de castanhas e objectos ornamentais. E são esses
linhos, bordados e barro negro de Bisalhães os reis da festa no S. Pedro
de Vila Real ou Festa dos Púcarinhos, como lhe chama o povo, que a comemora nos
finais do mês de Junho. Ninguém falta também à procissão "Corpus Christ", uma
tradição medieval de protocolo rigorosíssimo. Seja em dias de romaria, seja numa
passagem por Vila Real, todos podem saborear a rica gastronomia regional
composta por pratos soberbamente preparados à moda antiga, onde estão sempre em
evidência as tripas com molhos, o cabrito assado com arroz de forno, a vitela
maronesa, o joelho da porca e ainda maravilhas para o paladar e os sentidos como
os covilhetes, os pasteis de Santa Clara e as cristas. Tudo regado com os vinhos
aperitivos, de mesa e generosos do Alto Douro Vinhateiro.
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