 
Na encosta de uma serra verde a beijar o rio Douro, cresceu
Resende. Aninhada no regaço do monte, acolheu nos séculos empoeirados da
história, povos proto-históricos, romanos, bárbaros, mouros, cavaleiros como
Rausendo que baptizou Resende em 1030, condes e reis. Os pergaminhos dos seus
forais cruzaram-se no passado com as histórias da fundação da nacionalidade,
como reza a lenda da cura milagrosa em Cárquere do primeiro rei
português, pela mão do seu aio, D. Egas Moniz, esposo de D. Emília
dos Condes de Resende.
As casas solarengas de traça setecentista, as
quintas ladeadas de cerejeiras e arvoredo de Anreade, S. Martinho de Mouros ou
Resende permanecem hoje quase inalteráveis, evocando a época em que Eça de
Queirós as descreveu, habitadas pelas personagens dos enredos da "Ilustre
Casa de Ramires".
Em Caldas de Aregos respira-se igualmente uma
atmosfera de nostalgia. As suas águas termais conhecidas pelas virtudes
curativas desde o século XII, atingiram o auge da fama nos dourados anos da
década de 60, quando as novas vias de comunicação e o caminho de ferro faziam
chegar a Aregos, durante a época balnear, mais de três mil banhistas. Hoje, a
praia fluvial renovada, a instância termal de cara lavada e os barcos de
cruzeiro repletos de turistas são sinais evidentes da prosperidade e do
progresso entretanto conquistados.
Serra acima, os contrastes são
evidentes. No Montemuro, há lugares onde o tempo se perdeu por caminhos e
encruzilhadas e não mais encontrou o rumo. Nas aldeias ainda se amanha o trigo
para renovar as coberturas de colmo das casas de granito, mói-se o trigo e o
centeio em seculares moinhos de água, assa-se o cabrito e o anho em fornos de
lenha e cozem-se as falachas. Romarias, festivais de folclore e feiras não
faltam nestas paragens. Se os dias são de festejo, expõem-se as obras primas do
artesanato do concelho, o barro preto de Fazamões, os cestos de vime ou as
toalhas de linho. Canta-se, dança-se, bebe-se e provam-se iguarias como as
deliciosas cavacas de Resende.
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