 
Nos derradeiros limites da Beira e a um passo da socalcos da Região Demarcada do Douro, a vila medieval de Penedono domina imponente uma paisagem de contrastes fortes e impressionantes. O seu Castelo, erguido no século XI quase a mil metros de altitude é um exemplo único de arquitectura militar, singular pela sua forma triangular e famoso, segundo a lenda, por ter sido berço do célebre Álvaro Gonçalves Coutinho, um dos Doze da Inglaterra, imortalizado nos "Lusíadas" pela sua valentia e espírito de aventura.
Todo o concelho é um prodígio da natureza e do engenho das suas gentes. As casas, os monumentos e os solares foram por eles talhados no granito bruto vindo das serranias em redor e os campos cultivados dividem o solo fértil com os grandiosos castanheiros, os pastos e ancestrais monumentos megalíticos. Das entranhas da terra, em Póvoa da Beira, surgiu um dia o precioso volfrâmio usado para o fabrico de armamento militar na Segunda Guerra Mundial, responsável por uma época dourada que subsiste apenas nas memórias dos mais velhos.
Gente de tradições e infinita sabedoria, a sua gastronomia e artesanato são disso o melhor exemplo como testemunham as ementas compostas de enchidos caseiros, cabrito assado, marrã, doces de castanha e cavacas. Nas montras das lojas de artesanato resplandecem as obras de mãos delicadas e experientes, as mantas, colchas, tapetes e cestas de junça pacientemente concebidas nas horas e dias perdidos entre conversas e rezas ao serão.
A devoção das gentes do concelho aos santos padroeiros exprime-se igualmente nas festas e romarias que dão um colorido especial às freguesias devotas. Por ruelas de granito, entre casario austero, antigos solares de brasões desbotados, passa ano após ano a procissão e o povo não se esquece de engalanar as janelas e varandas com as melhores rendas e toalhas, perpetuando no tempo os rituais transmitidos pelos seus antepassados.
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